No Oscar, cinemão de entretenimento é coadjuvante de luxo
Após um breve recesso, viagens a trabalho e feriadão de carnaval, cá estamos de volta ao Jerimum Cultural. Para não variar o assunto, voltamos a falar do velho e bom cinema.
Essa semana tivemos a realização de mais uma edição do Oscar, prêmio máximo da indústria de cinema americano. A ideia da premiação surgiu de uma necessidade de produtores, diretores e artistas de Hollywood de se valorizarem enquanto "produto artístico". Naquela época, é importante frisar, o foco americano era o cinema adulto. As sessões deixavam isso bem claro.
Contudo, esse alvo mudou. E um dos catalisadores disso foi Walt Disney, que decidiu investir pesado no longa-metragem Branca de Neve e os Sete Anões.
O que muitos consideravam loucura, pois o público-alvo, jovens e adolescentes, não tinha o poder de consumo de hoje. A história provou que Disney estava certo. Cada blockbuster traz atrelado todo tipo de bugiganga como games, brinquedos e coisas do tipo. São as chamadas "franquias", lançadas na época de férias dos EUA. O Oscar historicamente esnoba os filmes de verão. E esse ano não foi diferente. Duas produções foram coadjuvantes na disputa do Oscar desse ano, mas deveriam figurar entre os melhores filmes de 2008: Batman - Cavaleiro das Trevas e Wall-E.
O filme do Homem-Morcego, além de ultrapassar a barreira de bilhão de dólares arrecadados, estabeleceu um novo parâmetro para se fazer adaptação de HQ para o cinema. A partir do filme de Christopher Nolan, os estúdios terão que ralar e lançar produtos melhores, caso contrário poderão ser esnobados pelo público que, certamente, fará a comparação.
Já Wall-E, enquanto animação, merecia a indicação pela honestidade de seus propósitos. Fora ser o filme que melhor representou a preocupação com o meio-ambiente. Diferentemente de longas como Fim dos Tempos e O Dia em que a Terra Parou, que resvalaram no assunto sem propriedade.
Na premiação, Batman e Wall-E receberam estatuetas. Heath Ledger, falecido ano passado, foi eleito melhor ator coadjuvante e a saga do robozinho, a melhor animação. Poderiam estar entre os cinco melhores do ano, mas foram esquecidos por uma indústria que celebra suas arrecadações milionárias ao mesmo tempo em que, ironicamente, esnoba o cinemão de entretenimento, mesmo que esse tenha qualidade artística.
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